DRAGÃO DO MAR
Símbolo da resistência popular cearense contra a
escravidão

Em 1884, o Ceará torna-se a primeira província
brasileira a abolir a escravidão. O Movimento
Abolicionista Cearense, surgido em 1879, contribui –
embora não decisivamente – para essa abolição
pioneira.
As ações repercutem no País e os abolicionistas,
gente
de elite, brava e culta, são ovacionados pela imprensa
abolicionista nacional. Entre eles há, porém, uma
pessoa humilde, de cor parda, trabalhador do mar:
Chico da Matilde. Chefe dos jangadeiros, eles e seus
colegas se engajaram à luta já em 1881, recusando-se a
transportar para os navios negreiros, os escravos
vendidos para o Sul do País.
Assim, Chico da Matilde é levado para corte com sua
jangada, desfila pelas ruas, recebe chuvas de flores
da multidão e ganha novo nome, mais pomposo e mítico:
Dragão do Mar. De lá escreve à mulher: “seu velho
está
tonto com tanta festa e cumprimentos de tanta gente
importante”.
Símbolo da resistência popular cearense contra a
escravidão, Dragão do Mar agora designa,
merecidamente, este Centro de Arte e Cultura. Pelo que
ele e seus colegas ousaram fazer em nome da liberdade,
bem aqui perto, em 1881, nas areias da Praia de
Iracema.
BIOGRAFIA DE CANOA QUEBRADA
Tem filhos dessa velha terra
que não conheceu de nada
não sabem porque motivo
chamam Canoa Quebrada
eu declaro tudo em versos
porque ela foi fundada.
Francisco Aires da Cunha
Capitão de mar e guerra
vindo ele de Portugal
destinado a nossa terra
para fundar povoados
da orla marítima a serra.
Trazia ordens soberanas
de D. Manoel de Portugal
no entanto Aires da Cunha
procurando um litoral
foi se entender com Gerônimo
o fundador de Natal.
Gerônimo de Albuquerque
deu ao Aires toda nota
o Capitão Aires da Cunha
prosseguiu com sua frota
sem esperar que essa viagem
causava grande derrota
Vinha muita a beira costa
sem esperar foi chocado
seu barco com uma pedra
foi um caso inesperado
na cabeça da ponta grossa
o seu barco foi arrombado.
Foi na cabeça do Norte
que seu barco se arrombou
o Capitão Aires da Cunha finalmente
procurando ir mais a frente
mas o barco não deixou.
Barco para aquela gente,
era uma palavra a toa, aquele
povo só conhecia, bate Lão,
balsa e canoa, então esse
é o motivo, ao nome de Terra Boa.
Ele vendo que não dava
procurou uma enseada
então foi nessa velha praia
que ficou denominado
com esse nome até hoje
que tem Canoa Quebrada.
Passado pelo Vaninho
do Airton: Zé Melancia